domingo, 17 de março de 2013

Porque eu gosto de sentar na janelinha

Dormir sem ser interrompida, observar a cidade como se fosse uma grande maquete, ter o poder equivalente ao controle remoto: janela fechada - janela aberta e, principalmente pelo momento da aterrissagem. O avião mal parou e se ouve uma sinfonia de "cleck-cleck". Todos levantam, mesmo que de mal jeito e ali ficam curvados maltratando o pescoço e a coluna por cerca de 3 minutos, aguardando desesperadamente "Portas em Manual". Tenho observado esse comportamento e hoje pensei que deve ser psicológico: vai ver que levantar, ficar todo torto e espremido faça com que os 3 vire 1 minuto e que a conexão com o solo aconteça num piscar de olhos. Penso que esse comportamento é reflexo do "ligado no 220v". Num mundo de velocidade, a espera não tem lugar. Gosto de estar na janelinha principalmente na aterrissagem porque vale a pena aproveitar esse pequeno momento e virar a chave para os 110v: permanecer sentada, respirar, poupar o pescoço, apreciar as asas e as estrelas. E esperar. Esperar pelo momento certo em que a porta se abre e voltar a chave. O tempo passa igual para todos. Ser bivolt.

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